COLUNA – MI CASA SU CASA

Há um ano, decidi aceitar um convite que chegava como um novo desafio, mas que, com o tempo, se transformou em uma experiência muito especial na minha trajetória profissional: escrever sobre arquitetura de reformas para a Revista Expansão.

Até então, boa parte do que eu fazia chegava às pessoas por meio dos projetos, das obras, das imagens e das transformações que aconteciam dentro das casas. Ser convidada a escrever me colocou diante de outra possibilidade: a de transformar em palavras algumas das questões que fazem parte da nossa rotina profissional e que, muitas vezes, passam despercebidas por quem está do outro lado do projeto.

Ao longo desse primeiro ano, procurei falar sobre reformas para além da escolha de materiais, das tendências ou da busca pelo belo e pelo funcional. Porque, para mim, arquitetura nunca foi apenas sobre estética.

Uma reforma começa muito antes da obra. Ela nasce de uma necessidade, de uma mudança na rotina, de uma família que cresceu, de um espaço que deixou de fazer sentido, de uma casa que guarda memórias ou de um desejo de começar uma nova fase.

É nesse lugar que a arquitetura se torna ainda mais interessante: quando deixa de transformar apenas os espaços e passa a transformar a vida de quem os habita.

Ao escrever para a revista, pude compartilhar reflexões sobre temas que encontramos diariamente no nosso trabalho: as escolhas de uma reforma, o reaproveitamento daquilo que já existe, as memórias que permanecem dentro de uma casa, os desafios de reformar por etapas, a sustentabilidade e tantas outras questões que fazem parte desse universo.

Mais do que falar sobre arquitetura, esse primeiro ano como colunista me fez olhar ainda mais atentamente para as pessoas por trás de cada projeto.

Porque uma casa pode ser mais bonita, mais funcional e mais contemporânea. Mas a verdadeira transformação acontece quando ela passa a acolher melhor quem vive ali. Quando melhora uma rotina, aproxima uma família, traz conforto, favorece a saúde e o bem-estar ou simplesmente devolve àquela casa o sentido de lar.

E perceber, que escrever sobre arquitetura também é uma forma de ampliar a conversa sobre aquilo que realmente importa quando transformamos um espaço, a vida que acontece dentro dele.

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